Todos nós carregamos dor. Onde é que carrega a sua? | Mastering Alchemy

Todos nós carregamos dor. Onde é que carrega a sua? Recentemente saí com uma amiga de família da minha infância. Passei pela sua cidade e convidei-a para almoçar. Disse-lhe para escolher um restaurante onde nunca estivesse estado e que lhe parecesse “abundante” e extravagante. Ela escolheu um buffet chinês. Tinha um cupão.
 
Estava eu na minha segunda salada quando ela começou a comentar sobre a condição física das pessoas que estavam no restaurante. “Porque que é que ela não FAZ algo acerca DAQUILO.” “Admiro-me como é que estas cadeiras conseguem aguentar com o seu peso.” “Que triste. Até as suas crianças são gordas.” “Como é que aquela se DEIXOU chegar àquele ponto?”
 
As suas palavras ofensivas davam-me a volta ao estômago. Quando acabámos a refeição a minha amiga levantou-se, pôs as mãos nas costas e gemeu. Há anos que sofre das costas e qualquer movimento que faz é doloroso. Há 30 anos que dorme no mesmo colchão.

No caminho para casa a minha amiga foi sempre comentando sobre os outros condutores, sobre como “deviam” seguir as regras para segurança de todos os que andavam na estrada. Quando cheguei a sua casa e me comecei a despedir, a sua companheira de há muitos anos cumprimentou-me com simpatia. A companheira da minha amiga há já muito tempo que se encontra em depressão sem sair de casa. A sua dor está presente nos seus lábios decaídos e nos olhos inchados. Talvez chore com frequência, não sei. Demos um abraço e conversámos um pouco ao mesmo tempo que eu tentava encontrar um lugar para me sentar na sala que estava atulhada de coisas.

Atulhada quer dizer, cheia daquelas coisas importantes que coleccionamos. No topo de uma das pilhas que se encontrava na mesinha de café, estava uma revista. Reminisce (Recordações). A minha amiga de mais de 80 anos gosta de se focar na vida “boa” dos anos 40 e 50.

Depois de conversar sobre o tempo, o governo, pessoas ilegais e de como os emigrantes “deviam” aprender Inglês, despedi-me com graciosidade e regressei para o quarto de hotel, o meu santuário em 5D.

Dor
Todos nós carregamos dor, cada um à sua maneira. Pode-se revelar através de queixumes sobre os outros, peso a mais (já passei por isso), depressão (também) ou dores físicas (algumas vezes). A nossa arte ou mestria individual está na forma como lidamos com ela. Como é que VOCÊ lida com a sua dor? Consegue ao menos reconhece-la?

Como lidar com a dor
Uma das formas que temos de lidar com a dor é ignorando-a. “Se eu simplesmente a ignorar desaparecerá”. Mas vai realmente embora? Ou apenas se revela de formas passivo-agressivas? Tal como com a companheira da minha amiga, através da tristeza e depressão.

Outra forma é com machismo (tem testosterona?). “Sou forte que nem um touro. Consigo desbravar o meu caminho custe o que custar”. Sim consegue…até ao corpo ou a mente entrarem em exaustão e de alguma forma começarem a desistir, seja com a uma lesão ou com uma depressão.

Uma outra forma de resposta revela-se na projecção da dor interior naqueles que nos rodeiam. “Porque é que ela não FAZ qualquer coisa sobe aquele excesso de peso/dor nas costas/tosse/acne/depressão?” Esta é uma solução comum adoptada pela grande maioria de nós. Se encontrarmos outros sobre quem possamos comentar ou criticar não temos de olhar para as nossas próprias dores e desequilíbrios. Os outros são muito mais desequilibrados do que eu. Eu consigo manter a minha dor sob controle.

Queixume. Podemos lamentarmo-nos, suspirar e talvez assim os outros se tornem complacentes e tenham pena de nós. Ou talvez nos perguntem qual é o nosso problema. Isto abrirá uma porta para podermos começar a falar do nosso médico, cirurgias e das nossas medicamentações. Melhor ainda, encontre alguém com quem se possa comiserar e comparar dores. Pode criar um jogo e competir sobre quem sente a dor de costas mais forte.

Auto-medicação. Aqui encontram-se muitas opções.

Seja o que for, tudo começa na nossa cabeça. A forma mais correcta de lidar com a dor (e talvez a mais difícil), é focarmo-nos em deixá-la ir ou atenuá-la. Aplique as ferramentas que aprendeu para retirar a carga e libertar a dor, seja ela física, emocional ou mental. É claro que antes de o fazermos temos de nos certificar que estamos realmente decididos a eliminá-la. Muitos ainda não terminaram de carregar uma determinada dor. Tornou-se tão familiar que não conseguem imaginar a vida sem ela. “Quem é que vou ser se deixar de estar deprimido(a) e pressionado(a)?”

Comece por imaginar o que é possível. Faça de conta. Como seria o meu dia hoje se não comesse agora um pacote de bolachas? Se estivesse feliz? Se imaginar for demasiado difícil encontre um exemplo em alguém. Que palavras demonstra aquela pessoa? Segura, Bem Sucedida, Activa, Vibrante? Simplesmente observe de que forma ela demonstra essa energia.

Em primeiro lugar decida que não quer continuar mais na dor ou na situação em que se encontra. Já não despertam a sua atenção/comiseração/conforto que despertavam antes. Depois pode chegar à conclusão que lhe sai demasiado caro andar a carregar essa pedra às costas: sai-lhe caro fisicamente, emocionalmente e mentalmente. Depois vá ao seu saco de ferramentas e use as ferramentas que tem para remover a carga dos hábitos antigos. A Rosa, o Cordão de Enraizamento, as Palavras de Vida e outras (existem muitas outras). Faça-o em pequenos passos para evitar o desencorajamento ou auto-pressão. Não é uma corrida de competição.

Comprar um colchão novo e consultar um quiropata também podem ser passos primordiais para aliviar aquela dor nas costas. Mas se o fizer talvez fique sem assunto de conversa. Talvez perca todos os seus amigos queixosos. Talvez se torne feliz!

Por Roxane Burnett